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21 de novembro de 2011

O Armengue

Sou uma pessoa muito curiosa com a origem das palavras, seus significados e usos. Diante de um novo termo, fica uma inquietação, até descobrir o que é, de onde vem e como se emprega o termo. 

Recentemente me deparei com um novo vocábulo: o ARMENGUE. Talvez muitos não conheçam, assim como o editor de textos do Word também não, mas já me encarreguei de corrigir esse “problema” adicionando armengue ao dicionário do computador... 

Pois bem, armengue, pelo que andei pesquisando, não faz parte do vernáculo coloquial brasileiro; aliás, é um termo originário da Bahia, assim como diversos outros termos também por lá “inventados” e usados deliciosamente, estejam eles certos ou errados. 

Mas fiquei pensando quais outros significados a palavra armengue poderia ter e um deles, remontaria à época dos faraós. Seria mais ou menos assim: 

“Tuthi Akinonkabe”, poderoso faraó da terceira dinastia, convocou seus conselheiros: sábios, astrônomos, matemáticos, visionários e magos foram levados à Sala das Três Colunas, onde repousam as estátuas das divindades Cervix, Sacris e Toraxics. 

O Faraó tivera um sonho, estava agitado e gostaria de saber seu significado. 

Ninguém soube interpretar, mas disseram que um escravo hematita, capturado na campanha de T’al-Arico, talvez pudesse ajudar: sabiam que ele tinha poderes quase transcendentais: 

– O que você entende sobre interpretação de sonhos, ó escravo??? Vociferou o faraó. 

– Não muita coisa, meu senhor... mas eu era um armengue no meu reino, antes de ser capturado... 

Oooohhhh, fizeram os asseclas do faraó. Desde há muito tempo julgava-se extinta a casta dos armengues, poderosos místicos que se utilizavam da força sináptica e telepática para prever o futuro, interpretar sonhos, elaborar sortilégios e descobrir malfeitores... 

E desde então, o Egito passou a ter armengues em sua corte... e suas premonições contribuíram para consolidar a paz no alto Calígrafo.” 

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Ou ainda: 

“Idade Média, um dia qualquer no começo do mês de novembro do ano de 1.111... 

O rei Carlos de Monte Cáspita, da baixa Saxofônica, prepara-se para repelir a invasão dos Glutões, última horda que cruzou o mar de Metatarso, trazendo terror e pânico ao continente, aliando-se a outras frentes que tentavam dominar a região. 

Sobre a casamata, o rei dá ordens a seus generais para coordenarem os seus batalhões: 

– Cavalariços em retaguarda!!! Atenção ao avanço pelos flancos!!! 
– Balesteiros em posição!!! 
– Atenção armengues, ao meu comando... – AVANÇAARRR!!! 

Nunca se vira um batalhão de armengues tão bem preparado. Com suas vistosas vestimentas, ostentando uma grande letra “A” em vermelho no peito, faziam parte de uma ordem dissidente dos Templários. 

A vitória foi esmagadora... E a Saxofônica saiu de vez das mãos dos internautas.” 

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Mas deixemos guerras e batalhas épicas de lado. Armengue poderia ser usado em situações mais atuais e corriqueiras, como: 

“Sala de cirurgias: bip... bip... bip... bip... 

O renomado médico-cirurgião Face-google meticulosamente opera um paciente recém defenestrado, fazendo uma videolaparoconferência para a faculdade de AppleStore: 

– Temos aqui uma epigastalgia intracutânea por vasodilatação sistêmica que pode ser consequência de um distúrbio metabólico crônico associado a uma isquemia coronária aguda... Vamos aplicar 10 ml de cloridrato de cetamina para equilibrar os neurotransmissores e colocá-lo na posição de Trendelemburg... 

bip... bip... bip... bip... 

– Hum... não está retrocedendo... essa adenomegalia,diretamente dependente do débito cardíaco está causando uma resistência arterial periférica... 
– Vamos ter que usar o ARMENGUE... 
– Mas doutor, usar o armengue seria uma intervenção muito extremada. 
– Sim, eu sei... se nem utilizando o armengue conseguirmos, avise a família e reserve a capela...” 

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Bom, mas nem tudo ligado ao termo armengue tem que ser necessariamente transcendental, trágico ou bélico... poderia ser também romântico: 

“Se conheceram no parquinho do condomínio, em uma tarde ensolarada de outono... ele tinha 13 anos e ela 11... um perfume acre-doce exalava de flores que forravam o chão, caídas de uma pequena árvore que eles não sabiam o nome... 

Por capricho do destino foram estudar na mesma escola, quando ela se mudou do interior para capital. Compartilhavam segredos, cartas e letras de música. 

Mas quis o destino que ela fosse de volta para a pequena cidade de origem, acompanhando os seus pais. 

Os anos se passaram. Ela agora, moça, de volta à cidade grande, deixando os cadernos coloridos e passando a se ocupar mais com perfumes e decotes... 

Enfim, faculdade!! Novos desafios, novos amigos, novos amores... 

Primeiro dia de aula e aquela menina, antes magricela, sardentinha, de tranças ruivas, agora chamava atenção dos rapazes e principalmente de um em especial, que não parava de olhar. Aliás, olhares quase esquecidos no tempo, mas que quando se viram, intrigantemente se reconheceram... Se olharam e se enamoraram novamente... 

Passeios no fim de tarde de mãos dadas pelo condomínio: fizeram juras de amor eterno, de nunca mais se separarem... e se beijaram docemente, debaixo do antigo e frondoso pé de armengue, enquanto o sol se derramava no horizonte... 
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Mas nenhum desses termos é o verdadeiro ou correto. Armengue significa, no dicionário informal baianes, algo arranjado, feito de improviso. Assim como esse artigo...

11 de agosto de 2011

11 de Agosto - Dia do Advogado! Mas, o que há para se comemorar?




Justiça cega e doente.
por Angeli
Hoje se comemora o Dia do Advogado. Parabéns a todos os causídicos que, conforme preceitua a lei, são indispensáveis à administração da Justiça.
Mas será que é um dia para se comemorar, mesmo? Os últimos resultados do Exame da OAB têm demonstrado uma insuficiência no ensino jurídico no país. Este se tornou uma fábrica de bacharéis ávidos por um diploma, simplesmente para conseguirem uma colocação melhor no atual emprego ou mesmo para prestarem concursos públicos.
Mas aí vem outro problema. Uma vez aprovados (a duras penas) no Exame da Ordem, devem passar por um período de prática jurídica que, nos últimos editais de concursos para magistratura, tem sido de dois anos. Pois bem. E o que é a prática jurídica? O que comprova que aquele neófito, recém egresso das cadeiras acadêmicas possui essa prática? Muitos se comprazem em apenas assinar petições juntamente a colegas que efetivamente labutam nos fóruns.
Nunca passaram horas a fio aguardando o início de uma audiência, não se sentiram aviltados ao serem mal atendidos por serventuários despreparados e tiveram que retribuir com um sorriso, porque senão seu processo nunca mais anda naquela vara ou mesmo já ouviram a costumeira frase: “sua excelência, o juiz, mandou avisar que não atende partes e advogados!”
Ou seja, a prática jurídica, além de servir para adquirir, como o próprio nome indica “prática” no ofício judicioso, deveria também ser uma prática com vistas a humanizar os juízes. Trazê-los para o patamar da realidade cotidiana dos fóruns.
Vá lá que o juiz deve ser imparcial no julgamento da causa, deva ser também isonômico no tratamento às partes. Mas isso não significa que deva ser alheio ao mundo fático, fora dos compêndios de doutrina e jurisprudência.
Outra aberração oriunda da falta de “prática jurídica” dos recém empossados semi-deuses de toga é o critério para fixação de honorários de sucumbência. Mesmo com a legislação sendo extremamente pragmática e até mesmo didática, os juízes teimam em fixar honorários simbólicos, quase uma esmola.
Isso sem falar na onipotência de vossas excelências que, do alto do pedestal de Têmis, e amparados pelo princípio da persuasão racional, muitas vezes “obram” para as provas que as partes trazem aos autos e julgam como bem entendem.
Tudo bem que a quantidade de processos aliada a baixos investimentos em estrutura e pessoal do Judiciário contribuem sobremaneira para assoberbar a carga de trabalho dos magistrados, o que os levaria a pouco tempo para análise dos autos e, consequentemente, a proferirem decisões, no mínimo, contestáveis, para não se dizer, teratológicas.
E para piorar tudo, neste 11 de agosto, quem goza de descanso não são os advogados, pois os prazos não param. São os juízes e os serventuários da Justiça, que mesmo diante de todos os problemas minimamente relacionados acima, estão de “pernas pro ar”, aproveitando o feriado.
Portanto, não há muito o que se comemorar, no Dia do Advogado, mas sim, repensar toda a estrutura em que estamos inseridos. Se o advogado é essencial à administração da justiça, deve se empenhar para que tenhamos uma justiça mais célere, humanizada e para a realização do bem comum.