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8 de novembro de 2012

Lula, o SUS e os “clown-tribuintes”

Após a divulgação da notícia de que o ex-presidente Lula está com um câncer na laringe, começaram a pulular na internet mensagens sugerindo que ele fosse tratado pelo SUS e, em contra-partida, outras tantas em repudio a isso, dizendo que “não vêm graça ou ironia no câncer”, solidarizando-se com seu problema e “repreendendo” aqueles que deixariam transparecer um descontentamento com o Sr. Luiz Inácio.

Mas o problema não é ter apreço ou ser contrário ao Lula; ou desejar-lhe mal ou manifestar bem-querer. Está acima desse maniqueísmo.



Ao contrário do que muitos imaginam ou mesmo desejariam, o Lula não foi o primeiro Presidente do Brasil; aliás, ele não descobriu o Brasil, como alguns pensam.


Assim, a situação da saúde pública não é esse caos todo só por causa da administração petista de oito anos. Já vem de longa data. Tancredo Neves que o diga.

Daí, fico imaginando: o que não apenas ele (Lula), mas muitos outros políticos que necessitam desde uma simples consulta de rotina ou até mesmo uma intervenção cirúrgica sentiriam diante do descaso com os hospitais públicos país afora...

O ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, sucateou a saúde pública local às custas da construção de uma ponte na capital Federal. Obra de suma importância para a cidade, é verdade, mas a que custo...

Em março deste ano, Roriz fez uma cirurgia cardíaca no Hospital Sírio-Libanes, em São Paulo. Mas, aposto que muitos gostariam de vê-lo sendo tratado no Hospital de Base de Brasília, onde EU estive há pouco tempo para uma intervenção de emergência, já que estava com o plano de saúde em atraso.

Só posso dizer que o dinheiro dos impostos que eu pago (assim como milhões de brasileiros) não está sendo bem empregado... Ah, e ainda querem voltar com a CPMF, “para financiar a saúde”... mas não percamos o foco: voltemos ao Lula.

Não acredito que alguém tenha a capacidade de desejar o mal a outra pessoa. Creio que todos são intrinsecamente bons e querem o bem dos outros, até que se prove o contrário. Por isso, não é crível que as correntes na internet sejam contra O Lula, mas um modo de reclamar de como ele administrou a saúde pública no Brasil em seu governo.

Eu não posso dizer que goste do Lula, afinal, ele não faz parte do meu círculo de amizades ou de convivência e, portanto, nem gosto, nem desgosto. Votei nele duas vezes (em 89 e 2002)! Gostava do político. Mas me decepcionei. E aí está o grande divisor de águas desses comentários que estão pululando as redes sociais.

Diferenciar o homem do político. Como pessoa, não lhe desejo mal. Mas como político, que usou as massas em proveito próprio (assim como outros antes dele e, com certeza, todos após), acho que ele está colhendo o que plantou.

Mas será que deveríamos ser tão complacentes e condescendentes com pessoas que são tão insensíveis, principalmente quando se trata daqueles que os elegeram? Muito provavelmente por causa dessa leniência, dessa nossa tolerância demasiada com a desonestidade de governantes, o País esteja nesse caos!

E por isso, não só ele, mas todos os que se locupletam do poder para obterem algum benefício, deveriam, pelo menos uma vez na vida, passar as “perrengues” de um dia na fila do SUS.

Talvez aí sim, eles verão como é triste a realidade do povo, que poderia estar sendo beneficiado com um sistema de saúde público de melhor qualidade, não fossem os escândalos que sucedem outros escândalos de desvios de dinheiro público.

O Lula (assim como todos os políticos bem aquinhoados pela sorte da vida pública) com certeza está sendo tratado pelos melhores médicos do país e nos melhores hospitais, todos particulares.

E, caso não haja tratamento no Brasil, ele irá buscá-lo no exterior (assim como a D. Marisa Letícia, ciosa da má qualidade do ensino por aqui, disse que mandaria os filhos para estudarem na Europa).

Ah, e tudo isso custeado por nós mesmos, os “clown-tribuintes”!!! (Permitam-me o neologismo)

Ou seja, nós não precisamos ficar preocupados... com toda certeza o presidente Lula só não será curado se não houver cura ou não for realmente possível!

Mas, pelas manifestações de apoio ao presidente Lula em luta contra o câncer mas também incentivando-o para que faça seu tratamento pelo SUS, só posso concluir uma coisa:

Nunca antes na história desse país, desejar a alguém que se trate pelo SUS significou tanto desejar-lhe mal ou até mesmo a morte!!!

5 de junho de 2012

Ronaldinho Gaúcho e as Focas

Talvez eu não seja assim tão conhecedor do futebol, ou então seja do estilo “futebol resultado”. Claro que gosto de ver um toque refinado, um jogo bem jogado. Acompanho o Flamengo e a Seleção Brasileira desde que tinha oito, dez anos de idade. Com isso, vi o Brasil ser “garfado” desavergonhadamente na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, quando Zico já desfilava seu talento pelos gramados. 

Em 81, tive o privilégio de acompanhar o título mundial do meu Rubro-negro, disputado em Tokio. Ficar acordado até meia-noite para ver um jogo de futebol (e acompanhá-lo na íntegra) era uma proeza para um garoto de doze anos naquela época. 

A escalação desse timaço do Flamengo, sei de cabeça até hoje. E isso atualmente é uma coisa rara. Qual é o torcedor, por mais fanático que seja, que atualmente consegue declinar a escalação de seu time? Poucos, com certeza. Principalmente nesses tempos de um mercantilismo futebolístico exacerbado, onde o amor pelo dinheiro diz mais alto que o amor pela camisa. Nem eu mesmo sei atualmente a escalação do meu time. 

A saída do R10 do Flamengo só reforça uma teoria antiga no clube: craque se faz em casa! E porque? Por que ali se forja pessoas que vestem e honram a camisa do time; que são torcedores desde tenra idade e que, como todo garoto, sonha em ser um jogador de futebol. E ser jogador no time do coração, é uma realização fantástica. 

Quando o Ronaldinho Gaúcho foi para o Flamengo, em que pese toda a festa que a Sra. Amorim fez na época, melhor seria se não tivesse ido. Ele não tem qualquer compromisso com qualquer clube. Nem com o Grêmio (que o revelou), senão teria ido pra lá!! O compromisso que ele tem é com farra, noitada, dinheiro e mulheres. 

Já na sua passagem pelo Paris Saint-Germain, em 2001, Ronaldinho teve problemas com o treinador Luiz Fernández, que alegava que ele estava frequentando demais a vida noturna parisiense, e deixando o futebol de lado. 

Na Copa do Mundo de 2002, Ronaldinho teve certa  relevância na conquista do penta campeonato ao marcar aquele gol de falta contra a Inglaterra, na vitória do Brasil, de virada por 2-1, pelas quartas-de-final. 

Ele jura até hoje que chutou pra gol, mas ainda acho que foi obra do acaso. Pura sorte. E pior que isso: um jogador que faz um gol desses, que quer ajudar o time a se classificar, não faria uma presepada como a falta grave que fez em um jogador inglês e foi expulso, não participando do jogo da semifinal contra a Turquia. 

Na final contra a Alemanha, foi coadjuvante de Ronaldo e Rivaldo, que levaram o Brasil ao quinto título mundial. 

Considerado melhor jogador da Europa e do mundo, era a maior promessa brasileira para a Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Porém, demonstrou um futebol aquém do que se esperava, não rendendo o que vinha rendendo no Barcelona. 

Sempre achei que seu desempenho em clubes era muito superior ao demonstrado na Seleção Brasileira, onde (salvo raríssimas exceções) nunca teve um papel decisivo. Sempre a mesma jogadinha pela esquerda: uma corridinha, uma finta, um drible, um chute de efeito. Mas efetividade mesmo, muito pouco... 

No Flamengo foi a mesma coisa... um jogador de talento... “tá lento” prá caramba!!! Chegava a dar sono muitas vezes vê-lo jogar. 

Daí, sinto-me à vontade em dizer que Ronaldinho Gaúcho e uma foca amestrada são muito parecidos. Muito malabarismo com a bola, muito “gueri-gueri”, mas sem objetividade. E tudo isso em troca de algumas sardinhas (digo, verdinhas) como recompensa. 

E no Flamengo não seria e não foi diferente. Um malabarista da bola. Mas pra isso, melhor que chamem a Milene Domingues, que além de fazer as mesmas graças com a redonda, ainda enfeitaria (e muito) o visual do time.